Wednesday, April 18, 2007

Discurso do suicida ( Move-o a paixão parva )

Trémulo e inconsequente é este grito que vou dar,
È um grito escrito com vontade de o berrar.
Com uma vontade demolidora a minha caneta arrasa o papel
Branco e frágil, é uma arma que pode matar o tédio que mora
por cima de toda a minha alegria.

Suspiro meigo que dou ao lembrar que existo.
Uma meiguice que devora o coração pesado...
Chamam-lhe amor muitos...
Mas eu chamo-lhe simplesmente dor inconveniente,
parva, indigna, influenciável, egoísta.
Arrasa-me e penetra todos os meus sentidos trespassa-me
como a mais sublime e aguçada espada.
Arranca a raiz do meu orgulho, petrifica a minha vontade...
Não sou uma alma acarinhada
e assim rejeito a vida que já é rejeitada.
Sou fraco e detesto-me profundamente
Embora pense que é por amor que me mato...
Tenho consciência disso.
Não consigo carregar as pedras que trago na minha mente,
Arreio facilmente e não quero que a vida me levante...
Sim sou fraco e por falta de amor morro,
Falta-me o amor próprio para viver esta vida que
Não se sabe o que é, e ninguém é capaz de a conhecer...
Sinto a dor de quem é rejeitado,
A dor de quem está desfeito...
Sou tão fraco que até a própria morte rejeito.

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