Tuesday, April 24, 2007

Como cai a Chuva...

A Chuva cai do céu para a terra…
Eu quero me chover da terra para o Céu…
Quero cair sobre uma nuvem e escorrer horizontalmente…
Não me quero evaporar.
Nem quero estar de sol.
Quero me chover sempre da terra para o céu!
A chuva cai imunda do céu para a terra.
Tem que Chover ao Contrário para fazer sentido,
assim nunca o irá fazer!E tu utilizas o guarda-chuva…
Parvo!
Não enfrentas o problema, não queres que te atinja…
Caminhas firme e alegre para lado nenhum!
O guarda-chuva não te deixa ver o céu…
Olhas para o chão sem saber o que ele prende!!!
Olhas para a frente sem horizonte…
Olhas para o Céu para ver o sol,
e quando o vês cega-te!
Eu só me quero chover para não me cegar…
Porque eu quero ver…
Percebeste?
Não?
Então já viste o Sol, não leias mais…

A ti escrevo agora, tu que não te queres cegar!
Agarra a Alma, dá-lhe um nó, ata-a a um grito,
atira-a para fora com toda a tua força…
E começas-te a chover…
Mas não fiques por aqui…
Assim choves-te do Céu para a terra!
Não é isso que queremos pois não?
Pega na inteligência e na humildade e mostra-te com firmeza…
Assim começas a inverter…
Arranja um verdadeiro sentido à vida,
Não em relação à sociedade, mas em relação a ti a ao Mundo!
Prontos eu fico por aqui…
Espero que consigas chegar ao final…

*

Tocam a bambão os sinos do meu pensamento;
Está a meia haste a bandeira da minha loucura;
Bramam tristes os ideais do meu sentimento;
Rasga-se em pedaços a esperança de forma prematura.

Riem-se os cabrões que me derrotaram
Do jeito mais desprezível que conheço.
A minha pouca inteligência e sentimento choram
Esta doença incurável de que padeço.

Atei a raiva à loucura e à esperança.
Dei-lhes um nó dorido e profundo.
Apaguei os vestígios de confiança
e fico quieto, absorto neste mundo…

*

As Luzes que brilham bem alto não têm a vivacidade que deveriam ter.
As marcas profundas do desânimo navegam por toda a parte.
Há êxtase melancólico, sonhos cor de rosa em forma de pesadelo.
Gritos presos e esquecidos na garganta, toda a gente os vai dando para si mesmo…
Pedras fundamentais foram partidas pela força da natureza imposta.
Pulmões verdes do nosso pensamento já não filtram o que devem filtrar.
Luzes fuscas e deturpadas que iluminam tudo o que de inútil existe,
São irritantes da forma como se passeiam pelas ideias sem as clarear.
Tenho as mãos atadas e acomodadas também,
Pois vejo, não sei o que fazer,
A não ser anotar a minha debilidade.
Os Mãos finas, são os Mãos suaves
que a podridão cuida!
Só calejando mãos desprendemos as gargantas!
Mãos calejadas, são mãos arranjadas, pegam com
Afinco na vida que se amesquinha.
Sujem as Unhas de Vaidade, não as pintem nem as cuidem com futilidades.
Tudo o que o tempo trouxe trás e trará, veio, vem e virá
Ao som do nosso grito, por isso
Gritemos todos por nós um grito consciente daquilo que somos!
Sabendo exactamente aquilo que somos aprenderemos facilmente
A ser o que devemos ser.

Wednesday, April 18, 2007

O Engenho

“ Sabes perfeitamente que é de ti que provém toda a inocência cruel. Não vale a pena seres inocente, assume a tua crueldade. Não tenho vergonha em chamar-te Engenho pois não passas disso mesmo, de uma obra curiosa e habilidosa feita por um mago que é da tua própria criação. Sim és um engenho, executas a mesma tarefa vezes sem conta, numa rotina conscientemente inconsciente, trituras as tuas próprias esperanças e o teu próprio conforto.
És um Engenho, és o teu próprio operário, manipulas-te desastradamente sem propósito, sem objectivos, sem a força viva de querer viver, com a morte anunciada e esperada com cagaço. Nada se controla por si mesmo e tu não és excepção, és excepção porque não tens quem te controle. Estás a moer os sentimentos básicos, as emoções primárias, és tão feio, tão horripilante que nem sabes disso. Engenho estúpido, tão estúpido que se dá ao luxo de se achar brilhante, cintilante entre os outros mais humildes e produtivos. “

Discurso do suicida ( Move-o a paixão parva )

Trémulo e inconsequente é este grito que vou dar,
È um grito escrito com vontade de o berrar.
Com uma vontade demolidora a minha caneta arrasa o papel
Branco e frágil, é uma arma que pode matar o tédio que mora
por cima de toda a minha alegria.

Suspiro meigo que dou ao lembrar que existo.
Uma meiguice que devora o coração pesado...
Chamam-lhe amor muitos...
Mas eu chamo-lhe simplesmente dor inconveniente,
parva, indigna, influenciável, egoísta.
Arrasa-me e penetra todos os meus sentidos trespassa-me
como a mais sublime e aguçada espada.
Arranca a raiz do meu orgulho, petrifica a minha vontade...
Não sou uma alma acarinhada
e assim rejeito a vida que já é rejeitada.
Sou fraco e detesto-me profundamente
Embora pense que é por amor que me mato...
Tenho consciência disso.
Não consigo carregar as pedras que trago na minha mente,
Arreio facilmente e não quero que a vida me levante...
Sim sou fraco e por falta de amor morro,
Falta-me o amor próprio para viver esta vida que
Não se sabe o que é, e ninguém é capaz de a conhecer...
Sinto a dor de quem é rejeitado,
A dor de quem está desfeito...
Sou tão fraco que até a própria morte rejeito.

Silêncio por favor...

Estou numa sala com muita gente
que olha para o relógio e suspira vagamente.
Ninguém ri, ninguém fala, ninguém grita, porque está lá a maldita tabuleta:
“ Silêncio por favor “
Que ordem suave e educada que ninguém consegue recusar!
Claro que se fala, mas só daquilo que não faz falta falar...
Claro que se ri e chora de barbaridades, futilidades e coisas inconsequentes.
Mas gritar... Ah! Isso é que ninguém grita!
Está ali a maldita tabuleta que até a mim me consegue calar!
“ Silêncio por favor “
Afinal sou um simples mortal,
também tenho o direito a ser obediente, não?
Olho-a com ar desafiador e enraivecido...
Porque amordaça ela assim as pessoas?
È bem visível a maldita tabuleta!
“ Silencio por favor “
A maldita tabuleta está lá e cala o mundo!
Quero gritar mas não tenho forças sozinho,
a maldita não se desvia e continua lá fria e vazia...
“ Silêncio por favor “
É uma tabuleta silenciosa como o povo que a respeita
E não lhe grita:
“ Vai a baixo Maldita!”
Mas a realidade tem raízes fundas e foi assim escrita:
“ Silêncio por favor “

*

Tenho a vista cansada de olhar para o vazio....
Tenho a alma mais que penada mais que rota mais que estilhaçada.
Tenho o mundo atado nos pés e arrasto-o com agonia, sem vontade,
com infortúnio, com incapacidade de o agarrar e o levantar
pois as minhas mão só estão atadas com humanidade.

Tenho o cérebro estalado, brota dele uma revolta inconsequente
Tenho a minha loucura apiada e olha pra mim revoltada...
Só espera um sinal meu pra voltar a entrar
e voltar a ser um imponente farol de sanidade
que aponta sem temor o caminho da verdade.

Pois eu só tenho as mãos atadas com humanidade...
É tão fácil quanto difícil desfazer o nó...
Quero me desprender e ficar irremediavelmente só...
Quero ignorar a loucura e continuar atado,
a pensar que ando e continuar parado...

História ou Momento

Desde que o Mundo traz consigo a História,
o Mundo esconde nela algo para seu proveito.
Nem tudo o que é bom se descobre,
pois o que é bom nunca o foi de verdade...

Desde que o Mundo traz em si um momento ( são todos especiais ),
nunca o mostra com firmeza e esconde sempre algo...
Pois o momento é isso mesmo, um momento e nada mais, não é História.

História é passado notável, bom e mau,
nem todo mau, quase todo importante, nem todo verdadeiro...
De certa forma conveniente...
O momento é algo que fica e não é notado mas é notável.
Fica no coração e não é História,
é presente.
Um Corredor e uma sala.
A sala sem portas nem janelas, o corredor sem entrada.
Abre-se o mundo sem ter para onde ir,
espera sem esperar, sem tempo de partir.

Ficou por ficar o corpo que o traz,
não fica nem sabe onde está.
Está no corredor e está na sala,
está no próximo passo que não dará.

Falo para a Alma sem inspiração

Abençoada guerra fria entre mim e o mundo...
Parte em dois a emoção e o sentido...
Não, não estão relacionados porque ambos podem ser falsos.
Abençoada batalha entre os barcos da sanidade e da loucura...
Bravo mar que os empurra para fora do mundo...
Abençoada gente que se infiltra no mundo, é delas o
Mundo porque vêm os outros.
Maldita estupidez que me consome!
Quero falar e não consigo ouvir a voz que me vai no pensamento!
Maldita cegueira que se instalou em mim...
Maldita mão paraplégica que não agarra a caneta
E mostra a voz incógnita e nua que corre no meu sangue...
Quero vomitar um cântico que nos revolucione!
Mas nem um enjoo eu sinto...
Sou mortal, sou banal e não sinto com voz robusta aquilo que sinto
Num idioma incógnito, numa inquietude que não se sabe mostrar.
Avé mudez de espírito! Salta e anda sobre cada pensamento que quer brotar!
Triste e limitado me sinto por não perceber o idioma da minha raiva...
Só percebo a raiva da raiva que tenho por não vos apontar a raiva que tenho de vós!!!
Emoção e sentido sois precisos.
Mas a inspiração fala outra língua.
São mudos roucos aqueles que se ouvem sem se ouvir.
São Astros com uma luz forte, tão forte que ninguém a vê.
Apontam a verdade e o desprezo abafa-os!
Mendigam a sua alma, esbofeteiam a hipocrisia.
Quem quer a podridão, almas sãs neles encontram.
Tudo o que quero só encontro neles, mas eles não passam de proclamadores.
São as Luzes que iluminam o escuro imediato, a pequena escuridão que os rodeia.
Mas falta-lhes vivacidade…
Falta-lhes pegar nas palavras e atira-las para o meio do chão com actos
Que rasguem a vaidade da ignorância.
São Astros por isso mesmo, brilham, ninguém nota a sua luz e são ignorados pela maioria.
Àqueles que defendem a vida com unhas e dentes dedico esta obra.
A todos os astros que escrevem o que pensam…
A todos os que pensam que deveriam escrever…
A todos os que sentem que vida é para se viver com a verdade da nossa insignificância.
Ao mundo que sofre de um grande mal: não sente.